
A Polícia Civil de Campinas divulgou nesta quarta-feira (18) o laudo da perícia técnica relacionada à morte de uma menina de 9 anos, que morreu após se afogar em uma piscina de um resort de luxo na cidade, no dia 23 de novembro. A criança ficou submersa por cerca de sete minutos, tendo o cabelo preso no ralo da piscina, e faleceu 11 dias depois, em 4 de dezembro, no Hospital Pediátrico Mário Gattinho.
O delegado Luiz Fernando Marucci, responsável pela investigação, explicou que a irregularidade encontrada no dispositivo de sucção que causou o acidente foi um dos pontos principais do laudo pericial. Segundo Marucci, o dispositivo estava em total desconformidade com as normas técnicas de segurança para piscinas, o que pode ter contribuído diretamente para o afogamento.
O laudo pericial foi realizado pelo Instituto de Criminalística (IC) e constatou que o equipamento não estava adequado aos padrões de segurança exigidos pela legislação, que obriga a instalação de dispositivos que evitem o aprisionamento de pessoas ou objetos, como cabelos, nas piscinas. A Polícia Civil agora segue investigando as responsabilidades pela instalação desse dispositivo, buscando informações sobre os engenheiros e técnicos responsáveis pela obra.
Caso Similar em Setembro
Durante a coletiva, Marucci também revelou que um incidente semelhante ocorreu no resort no dia 13 de setembro, quando uma menina de sete anos ficou com o cabelo preso no mesmo tipo de dispositivo. No entanto, ela conseguiu se soltar com a ajuda do irmão e não sofreu ferimentos graves. Segundo os pais da criança, a situação foi comunicada ao salva-vidas da piscina, mas não houve outras medidas preventivas até o trágico acidente de novembro.
A Polícia Civil agora busca acessar as imagens das câmeras de segurança do resort que possam confirmar o incidente de setembro e, caso necessário, apurar a possível negligência nas medidas de segurança.
Responsabilidade e Novos Rumos na Investigação
O caso está sendo investigado como homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar, mas o delegado não descartou a possibilidade de que a investigação evolua para homicídio com dolo eventual, caso sejam constatadas falhas graves que possam ter contribuído de forma consciente para o acidente.
Além disso, Marucci explicou que a Polícia Civil irá solicitar informações sobre o projeto técnico da piscina, incluindo os responsáveis pela instalação do sistema de sucção, a fim de determinar se houve falhas nos procedimentos de construção e manutenção da piscina.
Posicionamento do Resort
Em nota, o Royal Palm Plaza Resort expressou condolências à família da menina e afirmou estar colaborando com as investigações desde o início do caso. A administração do resort informou que o dispositivo de sucção responsável pelo acidente foi desconectado e a cascata desligada permanentemente.
O hotel também ressaltou que as piscinas são equipadas com ralos antissucção e anti aprisionamento, e que mantém protocolos de segurança para garantir o bem-estar dos hóspedes. A administração afirmou que não tinha conhecimento de qualquer outro incidente semelhante antes do ocorrido em novembro.
A Tragédia e Seus Desdobramentos
O trágico acidente, que resultou na morte da menina no mesmo dia em que ela completaria 10 anos, trouxe à tona questões sobre a segurança nas piscinas de resorts e a necessidade de fiscalizações mais rigorosas para garantir que dispositivos de sucção estejam de acordo com as normas técnicas. A investigação segue em andamento, e a Polícia Civil aguarda a colaboração de todos os envolvidos para esclarecer o caso e responsabilizar os responsáveis pelo acidente.




