
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (10) um decreto que estabelece tarifas de 25% para todas as importações de aço e alumínio a partir de 4 de março de 2025. A medida, que visa proteger a indústria siderúrgica americana, afeta especialmente países como México, Canadá e Brasil, que são grandes exportadores desses materiais. Trump justificou a ação como essencial para o ressurgimento da manufatura nos EUA, destacando a necessidade de fortalecer a produção interna e gerar empregos no país.
“O aço e o alumínio precisam ficar na América, não em terras estrangeiras”, afirmou Trump, reforçando sua estratégia protecionista, uma das promessas de sua campanha. O presidente também mencionou que as empresas terão a opção de abrir filiais nos Estados Unidos para obter isenção de tarifas, além de anunciar novas medidas, incluindo tarifas recíprocas para outros produtos, como carros e chips semicondutores.
O Brasil é um dos países mais afetados pela nova medida. Em 2024, o país foi o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá. A possível elevação das tarifas traz incertezas para o setor siderúrgico brasileiro, que representa um dos principais fornecedores de matérias-primas para a indústria americana.
Vale ressaltar que Trump já havia tentado medidas semelhantes durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, quando impôs tarifas sobre aço e alumínio, mas muitas dessas restrições foram posteriormente flexibilizadas. O impacto da nova política, se efetivada, poderá ser sentido principalmente pelas siderúrgicas brasileiras, que exportam uma significativa quantidade de produtos para os Estados Unidos.
Em resposta, o governo brasileiro se mantém cauteloso, aguardando decisões concretas antes de adotar qualquer medida de retaliação. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a postura do governo será pautada por ações oficiais de Trump, sem se precipitar em respostas antecipadas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia indicado que o Brasil adotaria “reciprocidade” caso as tarifas sejam implementadas, o que pode resultar em aumento das taxas sobre produtos norte-americanos.
Apesar da tensão gerada pelas novas tarifas, até o momento, as siderúrgicas brasileiras, como Gerdau e CSN, não sentiram impactos significativos, com suas ações registrando alta no mercado. No entanto, economistas alertam que, caso a taxação seja mantida, o Brasil precisará encontrar novos parceiros comerciais para mitigar os efeitos negativos sobre suas exportações de aço e alumínio.
O cenário, no entanto, não é inédito. Em 2002, o então presidente George W. Bush também impôs tarifas sobre as importações desses produtos, o que, segundo estudos, resultou em mais desemprego nas indústrias que dependiam dessas importações do que em novos postos de trabalho na indústria de aço. Esse histórico levanta questionamentos sobre a eficácia das tarifas para fortalecer a indústria nacional sem prejudicar outros setores da economia.
O impacto final da medida dependerá das negociações futuras e das respostas dos países afetados, mas o cenário já demonstra que o setor siderúrgico e o comércio exterior podem enfrentar desafios nas próximas semanas.




