
O Vaticano confirmou na madrugada desta segunda-feira (21), às 2h35 pelo horário de Brasília (7h35 em Roma), a morte de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco. O pontífice argentino, de 88 anos, faleceu após complicações decorrentes de uma pneumonia bilateral, da qual se recuperava desde sua internação no início de fevereiro. Francisco liderou a Igreja Católica por 12 anos e foi o primeiro papa latino-americano da história.
Em nota oficial, o Vaticano expressou pesar e destacou o compromisso do papa com os valores cristãos e a defesa dos mais vulneráveis:
“O Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados.”
Cerimônias e funeral
De acordo com o protocolo do Vaticano, as cerimônias fúnebres começaram ainda nesta segunda-feira. Às 14h (horário de Brasília), será realizada uma missa de sufrágio na Basílica de São João de Latrão, em Roma, celebrada pelo cardeal Baldo Reina. Às 15h, ocorre o rito de constatação da morte e a deposição do corpo na Capela de Santa Marta, conduzido pelo camerlengo Kevin Farrell.
Na quarta-feira (23), o corpo será levado à Basílica de São Pedro para visitação pública dos fiéis. O sepultamento ocorrerá na Basílica de Santa Maria Maggiore, também em Roma — uma exceção raramente registrada na história da Igreja. A última vez que isso ocorreu foi em 1903, com o papa Leão XIII.
O sino da Basílica de São Pedro soou nesta manhã, emocionando fiéis, turistas e peregrinos que acompanhavam as celebrações pascais na Praça São Pedro. A notícia pegou o mundo de surpresa, especialmente pelo simbolismo da data e o impacto global do pontífice argentino.
O primeiro papa latino-americano e jesuíta
Francisco nasceu em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936. Filho de imigrantes italianos, Jorge Mario Bergoglio ingressou na Companhia de Jesus e foi ordenado sacerdote em 1969. Passou por cargos de destaque na Igreja argentina, como arcebispo de Buenos Aires, e foi nomeado cardeal por João Paulo II em 2001.
Foi eleito papa em 13 de março de 2013, após a histórica renúncia de Bento XVI, tornando-se o primeiro pontífice jesuíta e latino-americano. Seu nome papal foi uma homenagem a São Francisco de Assis, símbolo da humildade e da atenção aos pobres — características que marcaram sua gestão.
Pontificado marcado por reformas e enfrentamento de crises
Francisco assumiu o trono de Pedro em um momento de crise para a Igreja Católica. Os escândalos de abuso sexual, a crise de credibilidade da instituição e as dificuldades de diálogo com o mundo moderno estavam no centro dos desafios enfrentados por Bergoglio. Ainda assim, ele abraçou a missão com energia e buscou imprimir um estilo pastoral mais próximo dos fiéis.
Em seu pontificado, destacou-se por defender os refugiados, combater a pobreza, criticar o capitalismo desenfreado e promover uma Igreja mais aberta e inclusiva. Francisco também iniciou reformas na estrutura da Cúria Romana e modernizou aspectos da governança do Vaticano, incluindo medidas de transparência nas finanças da Santa Sé.
Mesmo sem alterar doutrinas centrais da Igreja, como a proibição do sacerdócio feminino e a defesa do celibato clerical, o papa abriu espaço para avanços: permitiu bênçãos a casais do mesmo sexo, concedeu às mulheres o direito de voto em sínodos e promoveu leigos a cargos antes reservados ao clero.

Uma liderança política e espiritual
Francisco também não se esquivou de debates políticos. Em discursos e homilias, condenou guerras, criticou líderes como Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu, e cobrou da Europa uma resposta mais humanitária à crise migratória. Durante a pandemia de Covid-19, sua imagem rezando sozinho na Praça São Pedro vazia comoveu o mundo e tornou-se símbolo de esperança e fé em tempos de incerteza.
Apesar de problemas de saúde nos últimos anos — incluindo cirurgias no intestino e dificuldades respiratórias —, o papa manteve uma rotina ativa. Sua última aparição pública foi neste domingo (20), na celebração de Páscoa, quando acenou aos fiéis reunidos na Praça São Pedro.
O legado de Francisco
Ao longo de seu papado, Francisco buscou tornar a Igreja menos burocrática e mais próxima das pessoas. Pregou misericórdia, diálogo inter-religioso e simplicidade. Reformador por essência, ele desafiou os ultraconservadores dentro da Igreja e tentou diminuir a distância entre doutrina e realidade social.
Seu legado é amplo e duradouro, tanto no campo espiritual quanto nas transformações institucionais que promoveu. Apesar das críticas de setores mais tradicionais, o papa conquistou respeito mundial — inclusive entre não católicos — e deixa como herança uma Igreja mais humana, inclusiva e engajada com os desafios do século 21.
Com a morte de Francisco, a Igreja entra em período de “sé vacante”, até a escolha de um novo papa pelo Colégio dos Cardeais em Conclave.
Acompanhe ao vivo a repercussão da morte do papa, os preparativos para o funeral e os próximos passos da Igreja Católica.




