
A comissão externa da Câmara dos Deputados, criada para acompanhar as investigações sobre o acidente com o voo 2283 da Voepass, aprovou nesta quarta-feira (13) um relatório que aponta graves falhas na manutenção das aeronaves da empresa, descrevendo uma prática de “canibalização” de peças e citando a atuação “hesitante” da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no caso.
O acidente ocorreu em agosto do ano passado, quando a aeronave decolou de Cascavel (PR) com destino a São Paulo e caiu em Vinhedo, no interior paulista, provocando a morte de todas as 62 pessoas a bordo.
Segundo o parecer, elaborado pelo deputado Nelsinho Padovani (União-PR), a “canibalização” se refere ao reaproveitamento de peças retiradas de um avião para reparar outro, procedimento que, segundo o relatório, indicaria negligência na manutenção. Além disso, há suspeita de que a documentação apresentada pela empresa sobre os serviços de manutenção não correspondesse à realidade.
O documento também aponta que o avião não deveria ter recebido autorização para decolar, já que existem indícios de que o sistema de degelo operava de forma inadequada. Apesar de o mau tempo ter sido citado como um dos fatores para a tragédia, o relator destacou que outras aeronaves sobrevoaram a mesma área sem incidentes, reforçando a possibilidade de problemas mecânicos e estruturais.
Padovani afirmou ainda que a Anac falhou na fiscalização da Voepass, deixando de agir com o rigor necessário antes do acidente. “Não é crível que essa empresa tenha chegado à situação que levou ao cancelamento do seu Certificado de Operador Aéreo somente após essa ocorrência”, disse o parlamentar. Para ele, a agência reguladora demonstrou falta de “apetite” para fiscalizar a fundo a companhia.
O relatório propõe o protocolo de dois projetos de lei. O primeiro busca aprimorar a fiscalização da Anac, criando a possibilidade de instaurar um regime especial de acompanhamento operacional sempre que forem identificadas inconsistências recorrentes nas ações de segurança. O segundo prevê a criação de um “Comitê de Cooperação” entre órgãos públicos e entidades privadas para o atendimento a vítimas e familiares de acidentes aéreos.
Em nota, a Voepass classificou o acidente como “o episódio mais triste” de seus mais de 30 anos de história e disse manter como prioridade o apoio às famílias das vítimas, além de estar dedicada à resolução das indenizações. A empresa destacou que a apuração de um acidente aéreo é um “processo complexo” e reiterou solidariedade aos familiares, um ano após a tragédia.




