Douglas Guzzo, presidente do Hospital São Francisco, defende consórcio regional e gestão técnica para o futuro de Americana e região

Aos 88 anos de idade, o americanense Douglas Aparecido Guzzo mantém uma vitalidade impressionante e uma visão estratégica voltada ao futuro. Atual presidente do Hospital São Francisco de Americana, ele concedeu entrevista ao programa Azul Cidades, da Rádio Azul FM, e compartilhou suas experiências profissionais, reflexões sobre gestão pública, saúde, mobilidade urbana e os desafios que a região precisará enfrentar nas próximas décadas.

Trajetória profissional marcada por grandes desafios

Nascido em 24 de julho de 1937, em Galvão Peixoto, próximo a uma usina de energia elétrica, Guzzo sempre esteve ligado ao setor. Trabalhou 38 anos na CPFL, onde desenvolveu estudos hidrológicos, acompanhou processos de geração e transmissão de energia e ainda atuou diretamente na gestão de iluminação pública em parceria com mais de 25 prefeitos e câmaras municipais. Também presidiu a Fundação SESP, um dos maiores planos previdenciários do país.

Sua ligação com o Hospital São Francisco começou em 1970. Porém, foi a partir de 1996 que assumiu efetivamente a direção da instituição, promovendo mudanças significativas na gestão. “Rompi barreiras e trouxe um novo modelo administrativo, mais próximo dos funcionários e pacientes. Hoje contamos com 520 colaboradores, 120 leitos, uma das UTIs mais modernas da região e novos projetos em andamento”, destacou. Entre os avanços, citou a modernização da maternidade, a criação de alas de hotelaria e a expansão para o atendimento ambulatorial.

Avanços na saúde e parcerias com o SUS

Douglas Guzzo ressaltou que o São Francisco tem atuado em parceria com o município para atender parte da demanda reprimida do Hospital Municipal, especialmente com internações pelo SUS. Ele revelou ainda que já estão em andamento estudos para implantação de um departamento de cardiologia e hemodinâmica, que também pretende atender pacientes do sistema público.

“É um investimento que só se viabiliza com parcerias. Nosso objetivo é ampliar a estrutura para oferecer um serviço de ponta, mas também com responsabilidade social”, explicou.

Defesa da integração regional

Um dos pontos mais enfatizados na entrevista foi a necessidade de união entre Americana, Santa Bárbara d’Oeste e Nova Odessa. Para ele, os três municípios já formam uma única dinâmica urbana e precisam planejar o futuro de forma integrada.

“Estamos caminhando para quase 800 mil habitantes em 2050. É urgente pensar em transporte interligado, novos viadutos, canalização do Ribeirão Quilombo e até um possível sistema de metrô regional. Isso precisa ser tratado de forma técnica, sem barreiras políticas”, defendeu.

Sr. Douglas propõe a criação de um consórcio intermunicipal inteligente, inspirado em modelos de integração como o do ABC Paulista. Ele sugere inclusive medidas práticas, como padronização de cores para identificar veículos de cada município e realinhamento de vias para facilitar o tráfego.

Atenção especial aos idosos

Outro tema de destaque foi a defesa dos direitos da população idosa. Preocupado com a projeção de que o Brasil viverá uma crise de atendimento a essa faixa etária em 2050, Guzzo implementou no Hospital São Francisco o “Selo do Idoso”, programa de medicina preventiva que oferece apoio psicológico, nutricional, jurídico e social.

“Não cobramos nada. É um atendimento que já está dando resultados expressivos, com visitas de gerontólogos, orientação para famílias e acompanhamento completo. É o primeiro selo do gênero na região metropolitana e o segundo no Estado de São Paulo”, enfatizou.

Três prioridades para os próximos cinco anos

Questionado sobre quais seriam as mudanças mais urgentes para a região nos próximos anos, Douglas Guzzo apontou três prioridades:

  1. Novo acesso viário entre Americana e Nova Odessa, além de melhorias no trajeto até Santa Bárbara;
  2. Dois novos viadutos em Americana, acompanhados da canalização do Ribeirão Quilombo, que segundo ele é hoje o “cartão feio” da cidade;
  3. Planejamento urbano conjunto entre os três municípios, com foco em mobilidade e preservação ambiental.

Mensagem final e visão de futuro

Em sua fala final, Sr. Douglas destacou a necessidade de os gestores municipais pensarem de forma regional, deixando de lado interesses políticos. Para ele, o avanço da inteligência artificial exigirá novas estratégias de gestão na saúde, na mobilidade e na educação.

“Americana, Santa Bárbara e Nova Odessa são cidades ricas, com arrecadações expressivas. Temos obrigação de investir no futuro. Precisamos preservar nossas nascentes, planejar o crescimento urbano e integrar a região. Só assim conseguiremos oferecer qualidade de vida às próximas gerações”, concluiu.

Clique aqui e ouça a entrevista na íntegra:

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