Andréa Souza defende mais apoio às mães atípicas e ampliação de políticas públicas para pessoas com autismo

Em entrevista à Rádio Azul FM, pré-candidata a deputada estadual e representantes do Gruma destacam desafios enfrentados pelas famílias e cobram mais investimentos em acolhimento, inclusão e atendimento especializado.

Vladimir Catarino, Karine Sena, Andrea Souza e Marcelo Harteman. Foto: Patricia Zepelin

A realidade das mães atípicas e a necessidade de ampliar o acolhimento às famílias de pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento estiveram no centro dos debates durante entrevista concedida ao programa Azul Cidades, da Rádio Azul FM. Participaram da conversa a presidente municipal do PL de Nova Odessa e pré-candidata a deputada estadual, Andréa Souza, e a presidente do Grupo Rede de Apoio de Mães Acolhedoras (Gruma), Karine Sena.

O encontro abordou os desafios enfrentados diariamente por mães que cuidam de filhos com autismo, deficiências e outras condições que exigem acompanhamento permanente. Segundo as entrevistadas, além da rotina intensa de cuidados, essas famílias convivem com dificuldades emocionais, financeiras e sociais, muitas vezes agravadas pela falta de informação e pelo preconceito.

Karine Sena, que também é mãe atípica, relatou a própria experiência após o diagnóstico precoce do filho. Ela destacou que receber a confirmação de uma condição do espectro autista é um momento delicado para muitas famílias e que a rede de apoio se torna fundamental para orientar e acolher quem enfrenta essa realidade.

“É uma luta diária. Nosso compromisso é garantir que essas crianças sejam incluídas na sociedade e tenham acesso aos direitos que precisam”, afirmou.

Durante a entrevista, foi ressaltado que muitas mães enfrentam situações de isolamento social e julgamentos, inclusive dentro do próprio círculo familiar. Segundo Karine, um dos objetivos do Gruma é justamente ajudar essas mulheres a compreenderem que seus filhos devem participar de todos os espaços sociais, promovendo inclusão e convivência.

Andréa Souza destacou que a crescente demanda por atendimentos especializados exige maior participação do poder público. Ela citou a necessidade de ampliar centros de atendimento, fortalecer programas de apoio psicológico e criar políticas que ofereçam melhores condições às famílias.

Entre as propostas defendidas durante a conversa estão a ampliação do acesso ao diagnóstico precoce, mais vagas para terapias pelo Sistema Único de Saúde (SUS), atendimento multiprofissional contínuo, inclusão escolar com profissionais capacitados e programas de apoio financeiro para famílias cuidadoras.

Outro ponto levantado foi a importância de gerar oportunidades de renda para mães atípicas, muitas vezes impossibilitadas de exercer atividades profissionais em horário convencional devido às necessidades dos filhos. A sugestão é incentivar modelos de trabalho remoto, empreendedorismo e capacitação profissional.

As entrevistadas também chamaram atenção para a necessidade de planejamento voltado ao futuro das pessoas autistas na fase adulta. Uma das preocupações mais frequentes entre as mães, segundo Karine, é quem cuidará dos filhos quando elas não estiverem mais presentes. Por isso, o grupo defende a criação de estruturas de acolhimento e moradia assistida para garantir proteção e qualidade de vida a longo prazo.

Atualmente, o Gruma atua de forma regional, reunindo famílias de cidades como Nova Odessa, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Cosmópolis, Artur Nogueira e outras localidades. A entidade também trabalha para expandir sua atuação para novos municípios do interior paulista, promovendo fóruns, debates e ações de conscientização.

Ao final da entrevista, as participantes reforçaram a importância de construir uma sociedade mais inclusiva, baseada na informação, no respeito às diferenças e no fortalecimento de políticas públicas permanentes para atender as necessidades das pessoas autistas e de suas famílias.

Ouça a entrevista na íntegra:

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