Fiscalização do TCE encontra Theatro Municipal de Paulínia em estado de abandono; relatório aponta falhas em teatros da região de Campinas

Uma fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) realizada no início da semana revelou que o Theatro Municipal de Paulínia (SP), fechado desde 2020, está em condições precárias de conservação. O relatório aponta assentos mofados, infiltrações, estrutura danificada, sinais de vandalismo e ausência total de energia elétrica, resultado do roubo de cabeamento.

O equipamento cultural, inaugurado em 2008 como parte do Polo Cinematográfico da cidade, está sem uso desde a pandemia. Com capacidade para 1,3 mil pessoas, o espaço encontra-se abandonado, sem utilização por escolas, coletivos culturais ou eventos públicos. A vistoria foi realizada com auxílio de lanternas devido à falta de iluminação no local.

Entre os principais problemas relatados estão: infiltrações internas e externas, cadeiras danificadas, pichações, ausência de segurança patrimonial e inexistência de estrutura organizacional formalizada. Algumas portas de emergência foram até mesmo vedadas com blocos de alvenaria.

A fiscalização integra a II Fiscalização Ordenada do TCE-SP, que avaliou 128 teatros públicos em todo o estado. Na região de Campinas, outros oito espaços culturais também apresentaram falhas, como falta do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), problemas de acessibilidade e falhas na estrutura física.

Em Campinas, o Teatro Municipal Castro Mendes registrou infiltrações, bolor nos camarins, placas de forro danificadas e banheiros com equipamentos quebrados. Já em Jaguariúna, o Teatro Dona Zenaide não possui AVCB válido, carece de segurança adequada e enfrenta problemas de acessibilidade. Hortolândia também está com o alvará vencido e o AVCB desatualizado.

A Prefeitura de Paulínia informou que estuda meios legais para revitalizar o Theatro Municipal, reconhecendo a importância do espaço para o turismo, cultura e economia local. As demais administrações também responderam, afirmando que já tomaram providências ou que os reparos estão em andamento.

Especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas permanentes para a manutenção e uso ativo desses espaços. “Um teatro precisa estar vivo, com programação regular e envolvimento comunitário”, afirma Marana Delponi, docente do Senac. Ela defende que o abandono e a deterioração resultam, em grande parte, da falta de planejamento contínuo e recursos destinados exclusivamente à cultura.

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