Política em Pauta: Crise e movimentações políticas acendem alerta nas cidades da região

No quadro Política em Pauta, no Azul Cidades, da Rádio Azul, transmitido nesta quarta-feira (30), o jornalista Marcelo e Marcos Seignemartim analisaram os principais bastidores da política regional, com destaque para os desdobramentos em Santa Bárbara d’Oeste, Americana e arredores. A pauta trouxe à tona críticas à gestão pública, suspeitas sobre o uso do consórcio Cismetro e os primeiros sinais de uma disputa eleitoral intensa para os próximos anos.

Em Santa Bárbara d’Oeste, a polêmica gira em torno da adesão da prefeitura ao Cismetro — Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Metropolitana de Campinas. O consórcio, já utilizado em cidades como Americana, vem sendo alvo de questionamentos do Ministério Público por possíveis irregularidades em contratações e falta de transparência na folha de pagamento. Embora a justificativa seja desafogar a fila de espera por exames e consultas especializadas, há desconfiança sobre a real eficiência do modelo, principalmente pela logística que obriga pacientes a se deslocarem para outras cidades da região. Além disso, denúncias indicam que algumas prefeituras estariam utilizando o consórcio como artifício para empregar aliados políticos em cargos comissionados ocultos. Em Santa Bárbara, a aprovação do Cismetro na Câmara foi unânime — 17 votos favoráveis e uma abstenção —, mas o vereador de oposição Carlos Fontes já prometeu fiscalização severa. A situação é acompanhada com atenção, uma vez que a Câmara barbarense tem se mostrado mais atuante que a de cidades vizinhas, como Americana.

Na área da educação, Santa Bárbara também enfrenta turbulências. Professores da rede municipal declararam estado de greve após um problema no desconto duplicado do imposto de renda nos salários. Embora o caso esteja sendo tratado para correção, o clima entre sindicato e governo municipal é de tensão. O prefeito Rafael Piovezan, que antes mantinha diálogo próximo com a imprensa, tem evitado entrevistas e parece recluso, segundo os jornalistas. “Estamos tentando trazê-lo desde dezembro do ano passado”, comentou Marcelo, evidenciando o distanciamento do gestor em meio às pressões políticas.

Já em Americana, o foco foi a ausência de sessões camarárias nas últimas semanas e o comportamento controverso de alguns vereadores. Casos como o de parlamentares que marcam consultas médicas diretamente de seus gabinetes ou que se vangloriam por ajudar em mudanças residenciais chamam a atenção dos comentaristas. “Virou uma palhaçada”, resume Marcos, apontando para o populismo e a falta de foco em propostas sérias.

O programa também destacou a tentativa de pré-campanha do atual chefe de gabinete do prefeito Chico Sardelli, Franco Sardelli — filho do próprio prefeito. Franco tem divulgado vídeos exaltando ações básicas da gestão, como o pagamento de salários e fornecedores, algo considerado “mera obrigação” pelos comentaristas. “O problema não é manter as contas em dia, é resolver o que ficou de dívida, como foi feito em gestões anteriores”, criticou Marcos, lembrando os esforços de ex-prefeitos como Omar Najar e Chico na conquista do Certificado de Regularidade Previdenciária (CND).

A movimentação política para 2026 e, especialmente, para as eleições municipais de 2028, começa a tomar forma. Franco Sardelli deverá ser testado nas urnas pela primeira vez. Se alcançar boa votação como candidato a deputado, poderá se tornar figura central na sucessão municipal, embora não possa legalmente disputar a prefeitura logo após o mandato do pai. No entanto, seu desempenho eleitoral influenciará diretamente na reorganização da base de apoio ao atual governo.

O vice-prefeito de Americana, Odir Demarchi, é outro nome que desponta como possível sucessor de Chico Sardelli. Sempre ao lado do prefeito e presente em todas as ações divulgadas pela administração, Odir vem construindo sua imagem como político ativo e preparado. Mas ele não está sozinho nessa disputa interna: nomes como o secretário de Meio Ambiente, Fábio Renato de Oliveira, e o vereador Diego Guidolin também são apontados como possíveis candidatos.

No campo da oposição, nomes como Tiago Brochi e Juninho Dias têm se movimentado com intensidade. Brochi, embora em rota de colisão com o partido PL, busca um novo espaço político. Já Juninho Dias reorganiza sua base e reaparece com antigos aliados, sinalizando possível retomada de protagonismo.

Outro tema abordado foi o sucateamento do DAE (Departamento de Água e Esgoto) de Americana, que tem enfrentado sucessivas interrupções de abastecimento na região do Pós-Anhanguera. Segundo Marcos, o sucateamento parece proposital e visa facilitar o processo de concessão do serviço à iniciativa privada, com previsão de licitação para fevereiro do ano que vem.

Com tantos nomes em jogo e interesses em disputa, a política regional promete intensos embates nos próximos meses. Enquanto os bastidores fervem, o eleitor segue atento — ou pelo menos, espera-se que assim esteja — a cada movimentação, discurso e promessa. Afinal, como disse um dos comentaristas, “vai vendo o Brasil… e a região também”.

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